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Relatório do UNODC traz dados sobre o tráfico de cocaína entre América Latina e Europa

Com locais de produção bem definidos na América do Sul e grandes mercados consumidores tanto na América quanto na Europa, o mercado de cocaína e as rotas do tráfico global representam uma ameaça transnacional. Estimativas recentes sugerem que, apenas na Europa Ocidental e Europa Central, cerca de 4,4 milhões de pessoas usaram cocaína no último ano, tornando-a a segunda droga mais popular na região, depois da maconha.

Nesse contexto, a Seção de Pesquisas e Análise de Tendências do UNODC e a Europol lançaram a nova série: “Cocaine Insights”. O primeiro relatório, com foco no comércio de cocaína da América Latina para a Europa, destaca um aumento significativo no fornecimento do entorpecente, uma diversificação de grupos do tráfico e alterações nos pontos de entrada na Europa. Por sua vez, o segundo relatório, tem como tema as diferentes formas de produção e de consumo de cocaína no mundo, inclusive com informações sobre o crack consumido na América do Sul.

Desenvolvida pelo UNODC no âmbito do programa CRIMJUST e em cooperação com parceiros e partes interessadas a nível regional, nacional e internacional, a série traz as mais recentes descobertas sobre tendências e outras questões relacionadas aos mercados de cocaína, em um formato acessível e informativo. Essa série de publicações cobrirá tópicos e desdobramentos relacionados ao tráfico de cocaína, seu impacto e as perspectivas futuras.

O Brasil na cadeia do tráfico de cocaína

Um dos principais achados do estudo é o deslocamento do epicentro do mercado de cocaína na Europa para o norte do continente. O aumento do uso de carregamentos em contêineres nos portos de Antuérpia, Rotterdam e Hamburgo consolidou o papel da Holanda como um ponto de parada e fez com que a costa do Mar do Norte da Europa continental ultrapassasse a Península Ibérica como o principal ponto de entrada para a cocaína.

Dados de apreensões ainda apontam para um aumento relativo na quantidade de entorpecentes que entram pela Bélgica, principalmente pelo porto de Antuérpia. Até anos recentes, a Colômbia era a principal origem da cocaína que chegava ao território belga, mas em 2019 o Brasil assumiu essa posição.

O estudo também analisa a atuação das redes criminosas europeias e sua colaboração com cartéis colombianos e outros produtores na América Latina, destacando uma já estabelecida presença no território brasileiro. O relatório traz o exemplo da organização mafiosa italiana ‘Ndrangheta’, que em anos recentes estabeleceu presença no Brasil para garantir o fluxo dos ilícitos até os mercados consumidores.

Destaca-se, ainda, a presença de grupos criminosos albaneses no território latino-americano. Relatórios indicam que, desde 2012, grupos de língua albanesa tornaram-se influentes em portos estratégicos tanto na América do Sul, incluindo o Brasil, quanto na Europa.

Os albaneses, inclusive, são os únicos que ficam à frente dos brasileiros na análise da nacionalidade de estrangeiros presos na Europa no contexto de apreensões de cocaína. De 2018 a 2020, 257 brasileiros foram presos, ante 266 albaneses.

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